Santa Catarina | Tsunami meteorológico faz mar avançar sobre cidades, arrasta barcos e deixa rastro de danos no Litoral Sul
Em parceria com o portal A Guardiã Da Notícia
Fenômeno raro atingiu Jaguaruna, Laguna e Imbituba após elevação súbita do nível do mar; ocorrência provocou danos em vias, edificações e embarcações, sem registro de vítimas
Por Gabrielle Tricanico | CLIMA E DEFESA CIVIL | SANTA CATARINA
O avanço repentino do mar que surpreendeu moradores do Litoral Sul de Santa Catarina na manhã desta segunda-feira (21) foi confirmado como um tsunami meteorológico, também conhecido como meteotsunami. O fenômeno atingiu principalmente os municípios de Jaguaruna, Laguna e Imbituba, provocando alagamentos em áreas próximas à costa, acúmulo de água e areia nas vias, danos em edificações e o deslocamento de embarcações.
Até o último balanço divulgado, não havia registro de vítimas.
O fenômeno ocorreu por volta das 6h, quando houve uma elevação rápida e temporária do nível do mar. A movimentação chamou a atenção pela velocidade com que a água avançou sobre áreas urbanizadas e atingiu pontos próximos à faixa de areia.
A ocorrência foi posteriormente classificada como tsunami meteorológico. Diferentemente dos tsunamis tradicionalmente associados a terremotos e movimentos do fundo oceânico, o episódio registrado em Santa Catarina teve origem atmosférica.
O que provoca um tsunami meteorológico
O meteotsunami pode ocorrer quando alterações rápidas da pressão atmosférica e ventos intensos transferem energia para a superfície do oceano.
Em determinadas condições, essa perturbação atmosférica consegue gerar oscilações significativas no nível do mar. A configuração da costa, a profundidade da água e a geometria de baías, enseadas e canais também podem contribuir para amplificar o fenômeno quando ele se aproxima do continente.
Por isso, apesar do nome, o tsunami meteorológico possui uma origem diferente dos grandes tsunamis provocados por terremotos submarinos.
No episódio catarinense, a atmosfera apresentava condições de instabilidade na região. A combinação de alterações meteorológicas com a resposta do oceano resultou no avanço repentino da água.
Jaguaruna, Laguna e Imbituba registram impactos
Os principais impactos foram registrados em Jaguaruna, Imbituba e Laguna, municípios do Litoral Sul catarinense.
A força da água deixou vias cobertas por areia e provocou danos em áreas próximas ao mar. Também houve relatos de edificações atingidas e embarcações arrastadas ou deslocadas.
Em comunidades costeiras, um evento dessa natureza tem potencial para provocar impactos que vão além dos danos materiais imediatos. A pesca artesanal, a navegação, estabelecimentos comerciais, atividades turísticas e a circulação pelas vias próximas às praias podem ser diretamente afetados pela elevação repentina do oceano.
A ausência de vítimas representa um ponto importante no balanço inicial, principalmente diante das imagens do avanço da água sobre áreas ocupadas.
Fenômeno é rápido e de difícil antecipação
Uma das características que tornam os tsunamis meteorológicos especialmente preocupantes é a rapidez com que podem se desenvolver.
Enquanto outros eventos extremos permitem acompanhamento durante horas ou até dias, um meteotsunami pode estar relacionado a sistemas atmosféricos que se deslocam rapidamente e provocam alterações significativas no oceano em pouco tempo.
O comportamento também pode variar bastante entre pontos relativamente próximos da costa. Dependendo das características geográficas de cada região, a oscilação do mar pode ser mais intensa em determinado trecho e menos perceptível em outro.
Essa particularidade reforça a importância dos sistemas de monitoramento meteorológico e oceanográfico e da comunicação rápida entre órgãos estaduais e municipais de Defesa Civil.
Atenção permanece no litoral
Mesmo depois do episódio, moradores e visitantes das áreas costeiras devem acompanhar as orientações da Defesa Civil e as condições do mar.
A atmosfera permaneceu instável após a ocorrência, com possibilidade de novos temporais. Condições de vento e agitação marítima também exigem atenção especial de pescadores, navegadores e praticantes de atividades náuticas.
Em situações de elevação repentina do nível do mar, a recomendação é evitar a aproximação da faixa costeira, não tentar atravessar áreas tomadas pela água e buscar locais mais elevados e seguros.
O episódio registrado no Sul do país também chama atenção para a necessidade de acompanhamento permanente dos fenômenos costeiros. Cidades brasileiras com ocupação urbana próxima ao oceano concentram residências, vias, estruturas turísticas e atividades econômicas em áreas diretamente expostas à dinâmica marítima.
Em Santa Catarina, o avanço repentino do mar deixou nesta semana uma demonstração concreta dessa vulnerabilidade: em poucos minutos, um fenômeno atmosférico foi capaz de alterar significativamente o comportamento do oceano e atingir três municípios do litoral.

